O DIA - Uma auditoria realizada pelo Denasus (Departamento Nacional de Auditoria do SUS) apontou diversas irregularidades nos transplantes hepáticos no Estado do Rio entre 1997 e 2007. Segundo levantamento realizado em dezembro, até abril de 2006 a Central Estadual de Transplantes gerenciava as captações e as cirurgias com uma lista paralela, chamada de “lista única histórica”, e não com a lista oficial, do programa desenvolvido pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).A auditoria, feita a pedido do Ministério Público Federal, apontou que 33 pacientes mortos permaneciam na lista de espera. Cinco deles estavam afastados temporariamente com a justificativa de que estavam “suspensos pela equipe médica”. A auditoria apontou ainda que 61 continuavam na lista mesmo já tendo sido transplantados.
O relatório identifica ainda a existência de pacientes inscritos duas vezes na lista. Para que o programa desenvolvido pelo SNT, adotado após abril de 2006, aceitasse o registro do mesmo paciente duas vezes, foi utilizado o “artifício de trocar uma letra do nome do paciente”. O levantamento mostra ainda que pacientes foram excluídos temporariamente da lista de espera sem comprovação da situação clínica. Segundo o relatório, a exclusão temporária com posterior retorno em curto espaço de tempo sem justificativa “permite que se admita a hipótese de que a saída temporária tem como objetivo beneficiar outro paciente da lista”.
