terça-feira, 5 de agosto de 2008

Escândalo dos transplantes: médico montou central particular de fígados

O DIA - Durante as investigações que resultaram na Operação Fura-Fila, a Polícia Federal descobriu que o médico Joaquim Ribeiro Filho, do Hospital do Fundão, ‘monitorava’ pacientes com morte cerebral em hospitais do País, interessado em captar seus fígados para transplantar em pacientes que pagavam pelas cirurgias, em detrimento da fila única de espera pelo órgão.
Num dos casos investigados, que resultaram na prisão do médico dia 30, a família do ‘cliente’ foi avisada sobre a existência de fígado mais de oito horas antes da Central Nacional de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNNCDO), vinculada ao Ministério da Saúde e que gerencia a lista única. Ainda na manhã de 17 de julho de 2007, segundo denúncia do Ministério Público Federal, Joaquim avisou à família do paciente Carlos Augusto de Alencar Arraes, que mora no Rio e é filho do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, que havia um órgão em Belo Horizonte (MG). A CNNCDO, porém, só foi notificada às 20h.Ao meio-dia, a família Arraes já havia fretado por R$ 25 mil avião para ir buscar o órgão, conduta irregular, segundo o Ministério da Saúde. O Sistema Nacional de Transplante informou que, desde 2001, faz transporte totalmente gratuito de órgãos em vôos ou por terra para os pacientes da fila.
Segundo a PF, Joaquim, então coordenador do Rio Transplante, esperou a Central ser comunicada e, apenas cinco minutos depois, às 20h05, ligou para lá dizendo ter interesse no fígado. Mas, em vez de dizer que o transplantaria em Arraes, que ocupava a 65ª posição no ranking, Joaquim disse que o referido órgão seria transplantado na 1ª da fila única: a enfermeira Selma Peixoto de Marins, 49 anos.

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Luciano Bonitão é formado em Comunicação pela PUC-RJ (turma do Henry Sobel) e só não terminou o mestrado porque a ponta do lápis quebrou. Declarações de amor, pedidos de emprego e contatos para shows: blogdobonitao@gmail.com