G1.com.br - A Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários abriu nesta sexta-feira (1º) um novo inquérito para apurar denúncias decorrentes da Operação Fura-Fila. A operação, que aconteceu no dia 30 de julho, prendeu o ex-coordenador do Rio Transplante e médico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Joaquim Ribeiro Filho, acusado de chefiar uma equipe de médicos que fraudava a fila única de transplantes de fígado, mediante pagamento.Segundo o delegado responsável pela operação, Giovani Celso Agnoletto, outras denúncias sobre cobranças por transplantes contra o médico foram feitas, depois de sua prisão, por familiares de pacientes.
De acordo com o delegado, numa das principais denúncias, a irmã do paciente, que morreu sem o transplante de fígado, disse que seu irmão estava internado no Hospital do Fundão (Hospital Clementino Fraga Filho), aos cuidados de Joaquim e sua equipe. Como o quadro de saúde vinha piorando, ela procurou o médico para saber a exata situação do irmão.Para a “consulta”, que teria sido feita em seu consultório particular, o médico teria cobrado R$ 400. Joaquim teria perguntado se o paciente tinha plano de saúde, e, como a resposta foi negativa, o médico disse que a única solução para salvar a vida do paciente era pagar R$ 150 mil pelo transplante a ser realizado numa clínica particular.“Desesperada, a irmã do paciente ofereceu um imóvel no município de Alcântara, na Região Metropolitana, no valor de R$ 60 mil, mas o médico se mostrou reticente e disse que 'imóvel ele não pegava', só pagamento em espécie e insistiu no valor original. A transação não foi consumada pela falta do dinheiro para o pagamento”, acrescentou Agnoletto.
